A VIDA DO NEGÓCIO
Um espaço de reflexões sobre decisões, pausas e presença. Porque negócios são vivos e quem lidera também.
A VIDA DO NEGÓCIO
Um espaço de reflexões sobre decisões, pausas e presença. Porque negócios são vivos e quem lidera também.
Parei para refletir sobre isso esses dias. E talvez você já tenha se feito essa pergunta.
Não apenas por que algumas pessoas batem meta, mas o que exatamente elas fazem de diferente ao longo do caminho.
Hoje quero começar pelo primeiro, que parece óbvio, mas a gente esquece de sustentar na prática.
Clareza de objetivo.
Principalmente na correria que o mundo vive, a gente esquece que clareza não é só um detalhe, é um pilar de qualquer plano consistente.
Sem um objetivo claro e ouso dizer, vivido, não existe sustentação e vontade de atingi-lo.
Estudos mostram que nós, seres humanos, tendemos a escolher o que é familiar e confortável.
O que é conhecido nos dá a sensação de segurança, de controle e pertencimento. Especialmente quando o próximo passo parece incerto.
O problema é que o conforto raramente leva ao crescimento.
Existe sempre uma primeira grande barreira. O ponto em que você precisa sair do automático, do previsível, do seguro e sustentar uma escolha nova antes que ela gere resultado.
E é exatamente aí que muita gente desiste.
Mas quando essa barreira é atravessada, tudo muda. Alcançar metas altamente desejadas ativa sistemas de recompensa do cérebro (principalmente a dopamina) e isso cria um efeito poderoso.
Buscar atingir objetivos passa a ser um comportamento cada vez mais provável.
Você não vira só disciplinada, você se torna motivada pelo próprio resultado. Mas aqui está o ponto mais importante e quase ninguém fala. Não basta ter um objetivo qualquer.
Ele precisa se conectar com a sua alma. Precisa fazer seus olhos brilharem. Seu coração se encher de vontade de fazer acontecer.
Sem isso, fica difícil furar a bolha do que é familiar. Fica difícil sustentar o processo.
Clareza não é só saber o que você quer. É saber por que isso importa tanto para você.
Final de ano sempre me coloca em um estado mais reflexivo. Gosto de parar e olhar para o que foi vivido, para quem eu fui e para quem me tornei.
E este ano, diferente dos outros, fiquei noiva. Durante uma sessão de terapia, acabei revisitando minha jornada amorosa.
Aos 20 anos, terminei meu primeiro relacionamento e tive a sensação de que nunca mais encontraria alguém. Foi diante da dificuldade de lidar com aquele término que busquei terapia.
Hoje me pergunto se eu tivesse empurrado a digestão daqueles sentimentos, será que teria amadurecido minha forma de amar? Será que teria ressignificado o que é, de fato, construir um relacionamento?
Talvez não. Talvez, sem intenção e sem um espaço seguro para elaborar o que vivi, eu tivesse seguido frustrada com a vida. Como vemos tantas pessoas presas em relações tóxicas ou evitando vínculos por feridas que nunca puderam ser cuidadas.
Aos 27, vou me casar com alguém que me transborda. E sei que, ao longo desse caminho, eu me transformei profundamente como pessoa. Não porque o tempo passou, mas porque eu escolhi olhar o que doía internamente e resolver.
Isso não é diferente nos negócios.
No mundo empresarial, o tempo não só não cura, ele agrava quando não há intenção. Empurrar uma demissão esperando que, com o tempo, a pessoa perceba que não é o lugar dela, ou acreditar que, sozinho, o tempo vai corrigir desalinhamentos… quase nunca funciona.
O tempo não cura. Mas o tempo cria espaço.
Cria espaço para rever a estrutura operacional da sua operação e melhorar. Cria espaço para rever o rumo da sua empresa. Cria espaço para construir uma empresa alinhada com o seu modelo de vida.
Então, voltando à pergunta inicial: o tempo cura? O tempo só abre espaço. Quem cura (ou não) é o que você escolhe fazer dentro dele.
Um lembrete para ser mais flexível hoje. Com você, com os desafios e com as pessoas!
Ser flexível não é jogar tudo para o alto, se apoiar nisso e simplesmente diminuir o ritmo sem consciência.
Ser flexível significa ser mais atento às suas reais necessidades e também às do outro. É entender que você não precisa controlar tudo e entender que as pessoas são diferentes, têm bagagens diferentes e necessidades diferentes.
Tenho a percepção de que o final do ano traz essa sensação de “agora dá pra desacelerar”. De que talvez seja melhor deixar tudo para o ano que vem.
Pode ser o corpo pedindo descanso. Ou o ego nos oferecendo conforto disfarçado de cuidado.
A única certeza é que a vida continua acontecendo.
Então será que é realmente hora de desacelerar e aproveitar essa energia de caos de final de ano como justificativa ou de encontrar um ritmo mais alinhado com quem você é e sustentar isso o ano inteiro?
Deixar sonhos para depois é um dos maiores desperdícios que existem para a alma.
Seja flexível com você. Mantenha o ritmo. Faça as pausas necessárias.
Mas não pause a sua vida com a desculpa do “ano que vem eu começo”.